Quando o gastroenterologista indica um imunobiológico para tratar a doença de Crohn ou a retocolite ulcerativa, é muito comum surgir a dúvida: “Esse tratamento aumenta meu risco de câncer?” Trouxe este tema hoje para ajudar a acalmar os corações aflitos, e para isso nada melhor do que informação confiável! Vamos entender como funcionam os imunobiológicos e qual o seu impacto quando o assunto é câncer?

O que são os imunobiológicos e por que são usados na DII?
Os imunobiológicos são tratamentos amplamente utilizados em uma parcela dos pacientes com doença inflamatória intestinal (DII), seja retocolite ulcerativa (RCU), seja doença de Crohn (DC). O objetivo é reduzir a inflamação crônica e persistente do trato digestivo.
Essa categoria de medicamentos chegou ao mercado por volta de 1998, de forma revolucionária, justamente para evitar as complicações associadas à inflamação intensa e persistente do intestino. Se quiser entender essa história, veja a evolução dos tratamentos para a doença inflamatória intestinal.
Os riscos da doença inflamatória intestinal sem tratamento adequado
Antes de falar sobre a segurança dos medicamentos, é importante entender o que acontece quando a DII não é bem tratada:
- Câncer de cólon: por causa da regeneração constante da mucosa intestinal inflamada, o risco de câncer de cólon é maior do que na população geral.
- Perda da função intestinal: a inflamação continuada pode comprometer o funcionamento do intestino.
- Cirurgias e complicações: aumenta o risco de cirurgias para retirada de partes do intestino, perfurações, abscessos e fístulas.
- Coração e vasos: fora do trato digestivo, a inflamação também é capaz de aumentar o risco cardiovascular.
Trago este panorama não para assustar, mas para mostrar o impacto real da doença e por que é tão importante termos tratamentos eficazes.

Quais são os imunobiológicos usados na doença de Crohn e na retocolite?
Atualmente existe mais de uma categoria. Os mais prescritos (a escolha sempre depende de uma avaliação individualizada) incluem:
- Anti-TNF: infliximabe e adalimumabe.
- Bloqueadores de interleucinas: ustequinumabe, guselcumabe e risanquizumabe.
- Anti-integrina: vedolizumabe, que tem um mecanismo ainda mais seletivo, atuando principalmente no intestino.
Apesar das diferenças entre eles, todos têm o mesmo objetivo: controlar a inflamação crônica, reduzir crises e evitar internações, cirurgias e complicações a longo prazo.
Imunobiológico causa câncer?
Na medicina, nem sempre, nem nunca. Risco zero ou eficácia de 100% não existem. O que existe é contexto clínico: a avaliação dos riscos individuais, do estilo de vida e da genética de cada paciente, o que torna essa análise mais real e honesta.
Ao longo de mais de duas décadas de uso desses medicamentos, observou-se que não há aumento relevante do risco global de câncer em pacientes com DII tratados com imunobiológicos. Quando olhamos para tipos específicos de câncer, algumas nuances merecem ser explicadas.
Câncer de intestino
O câncer de intestino está muito mais relacionado ao tempo de doença e à atividade inflamatória do que ao uso de imunobiológicos. Por isso, pacientes com a inflamação bem controlada tendem a ter menor risco do que aqueles que permanecem com atividade inflamatória silenciosa por longos períodos.
Câncer de pele não melanoma
Existe um aumento discreto do risco em alguns grupos, principalmente quando o imunobiológico é usado junto com outros imunossupressores, como a azatioprina. Ainda assim, é um risco pequeno, que pode ser bem manejado com medidas simples de prevenção e acompanhamento.

Linfoma
O linfoma costuma gerar medo, mas é importante contextualizar: ele é raro e, quando ocorre, parece estar mais associado ao uso de imunossupressores como a azatioprina do que ao uso isolado de imunobiológicos. E vale reforçar: se há indicação de imunobiológico para tratar a DII, o risco para a sua saúde é muito maior se a doença não for tratada.
Por que preciso fazer exames antes e durante o tratamento?
Muitos pacientes interpretam a necessidade de exames antes e durante o tratamento como sinal de perigo. Na realidade, isso faz parte de um cuidado moderno e responsável. O acompanhamento permite ajustar o tratamento, identificar riscos individuais e manter o uso do medicamento da forma mais segura possível.
Cuidados para quem usa imunobiológicos
Pacientes em uso de imunobiológicos devem manter os mesmos cuidados de saúde recomendados para toda a população, com atenção especial ao acompanhamento médico regular:
- Fazer os exames de rotina.
- Manter as revisões ginecológicas em dia.
- Fazer avaliação dermatológica periódica.
- Usar protetor solar e evitar exposição excessiva ao sol.
- Não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool.
- Adotar hábitos de vida saudáveis.
Evitar fatores ambientais carcinogênicos, como o tabagismo e o álcool em excesso, é fundamental, não apenas para quem tem DII, mas para qualquer pessoa.
Resumindo
A mensagem central é simples: o maior risco para quem tem doença inflamatória intestinal não é o imunobiológico, mas a inflamação mal controlada ao longo do tempo. Evitar ou interromper um tratamento eficaz por medo pode trazer consequências muito mais significativas do que o próprio medicamento. Nunca suspenda o tratamento por conta própria: converse com o seu gastroenterologista sobre as suas dúvidas.
Informação, acompanhamento e prevenção caminham juntos para um tratamento seguro e uma vida com mais qualidade. Leia também: A doença inflamatória intestinal tem cura?
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Tem doença de Crohn ou retocolite ulcerativa? Conheça como funciona o acompanhamento especializado em doença inflamatória intestinal.
Natália Junkes Milioli – Doctoralia.com.br
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